Emoções e profundas transformações
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Minha experiência de voluntariado no Rincón de Luz, Cochabamba

Antes de viajar, eu vivia uma mistura de entusiasmo, curiosidade e também certas inseguranças. Sentia um forte desejo de me envolver em uma experiência de voluntariado que não fosse apenas uma ajuda para outras pessoas, mas que também me permitisse questionar meus próprios privilégios e formas de estar no mundo. Minhas expectativas não eram apenas “ajudar”, mas construir vínculos a partir do respeito, do cuidado e da escuta, reconhecendo as diferenças sem hierarquizá-las.
Ao chegar ao meu destino, atravessei emoções intensas: desde a incerteza inicial até uma sensação progressiva de acolhimento. Foi a família que me acolheu quem me recebeu com um carinho que desfez muitos dos meus medos. Mesmo assim, continuaram surgindo dúvidas sobre o meu lugar ali e sobre como não reproduzir dinâmicas assistencialistas ou coloniais. Pouco a pouco, essas tensões se transformaram em aprendizado graças a um ambiente aberto e disposto à troca.
O que mais me chamou atenção foi a riqueza cultural do lugar e as formas de comunidade que ali se constroem. Fiquei profundamente impactada pela capacidade de cuidado coletivo, assim como pela energia das crianças que, mesmo em contextos complexos, expressavam uma vitalidade e uma força transformadora incríveis. Isso me levou a questionar muitas ideias preconcebidas sobre vulnerabilidade e força.
Minha inserção na organização foi bastante fluida. Consegui me integrar sem grandes dificuldades, graças às famílias que vivem nos arredores do Rincón de Luz e que apoiam a fundação.
O mais fácil foi me deixar atravessar pela experiência coletiva; o mais difícil, por outro lado, foi sustentar emocionalmente certas realidades sem cair na impotência, e aprender a me posicionar sem impor o meu olhar.
Aprendi a olhar o mundo a partir de uma perspectiva mais crítica e empática, reconhecendo as desigualdades estruturais e também as resistências cotidianas. Mudei na minha forma de me relacionar, tentando construir vínculos mais horizontais, atentos às diversidades e às múltiplas formas de existência.
Ao finalizar a experiência, eu me sentia profundamente transformada. Não apenas minhas expectativas haviam sido cumpridas, mas elas também haviam se ampliado. Parti com um sentimento de gratidão, mas também com uma responsabilidade maior sobre como habito o mundo e me relaciono com os outros.
Levo para a vida aprendizados fundamentais: a importância do cuidado coletivo, da escuta ativa e da necessidade de questionar constantemente as estruturas de poder que atravessam nossas práticas. Levo comigo, sobretudo, a certeza de que fazer parte de uma comunidade implica compromisso, sensibilidade e ação. Alice












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